Breve resenha histórica
A freguesia dos Bayrros, que antecedeu a de Azinheira dos Barros, foi criada por volta de 1545, na sequência da atribuição da Carta de Vila a Grândola, em simultâneo com as de Grândola e de Santa Margarida da Serra.
No entanto, é de referir que a maior parte do seu território integrou a comenda de Grândola, desde a criação desta, por volta de 1380.
A presença humana no espaço desta Freguesia remonta à Pré-História, e nela têm sido encontrados vestígios dos períodos Neolítico, Eneolítico e Romano.
Após a Reconquista, este espaço foi dos primeiros do (actual) concelho de Grândola a ser povoado, e há notícia da existência de população permanente no lugar de Anisa, pelo menos desde o século XIV. Outro lugar povoado na Idade Média foi a zona do Viso, onde, na segunda metade do século XV, foi construída uma ermida de invocação a Santa Maria do Viso.
No que se refere à sede da futura freguesia (os Bayrros) a primeira notícia sobre ela é a que consta no relatório da visitação do Mestre de Santiago D. Jorge, de 1513. Nessa data, era um pequeno povoado, que talvez não tivesse mais de 80 habitantes (20 fogos) e uma ermida recém construída e em fase de conclusão.
Após tornar-se freguesia, a sua população foi progressivamente aumentando, com pequenos retrocessos. Por exemplo em 1554 tinha cerca de 240 pessoas (60 fogos); em 1747, cerca de 940 (235 fogos); em 1864, cerca de 1066 e, em 1911, cerca de 1739.
Na sequência de uma reorganização administrativa do território, em 1855, a freguesia de São Mamede de Sádão (criada no século XVI e que pertencia a Alcácer do Sal) foi agregada à de Azinheira dos Barros.
Na sequência desta agregação e, principalmente, com o fomento da cultura cerealífera e da exploração mineira (no Lousal) a população continuou a aumentar. Assim, em 1930 foram recenseados 2806 habitantes, em 1940 o número subiu para 3445 e, em 1950, atingiu a cota máxima de 4215.
Com as alterações económicas e sociais que se registaram a partir dos anos 60 do séc. XX, nomeadamente com a crise da exploração mineira do Lousal, a população sofreu um forte decréscimo e, entre 1960 e 1970, perdeu cerca de 1724 pessoas. E depois disso continuou a perdê-la, pois das 1665 recenseadas em 1981, passados dez anos, apenas restavam 1141.
No âmbito da sua História, é ainda de referir que esta Freguesia teve feira anual, companhia de Ordenanças, juiz da vintena, Posto de Registo Civil e confrarias (adstritas às igrejas paroquial e de São Mamede de Sádão). Nas décadas de 1930/40 e 50 chegou a dispor de sete Escolas Primárias.
Texto: Germesindo Silva
Lenda do nome da Freguesia:
O nome actual está relacionado com uma lenda da imagem de Nossa Senhora da Conceição.
Os moradores tinham a intenção de erguer a capela da povoação no cimo do Outeiro de Palmela, pelo que levaram para aí a imagem da Senhora da Conceição, tendo no dia seguinte aparecido a imagem no cimo de uma azinheira, cena que se repetiu diversas vezes, até que a capela acabou por ser construída onde estava a azinheira.
A transformação de Bairros para Barros é de época bastante recente e só se tornou comum no século XX.
Património edificado religioso:
- Ermida de Santa Maria do Viso
Localização: Lugar do Viso
Cronologia: Finais do século XV?
Estado de conservação: Bom
Descrição sumária: Exemplo de arquitectura tradicional alentejana, a Ermida de Santa Maria do Viso é uma edificação de piso térreo, com telhado português de duas águas. O seu conjunto é composto pelo corpo do templo, uma sacristia, a torre sineira (de um único sino e estrutura independente) um portal em mármore e seis botaréus (cinco dos quais na parede norte). O interior, de uma nave, é rectilíneo, sem capela-mor nem capelas ou imagens laterais, e dispõe apenas de um pequeno altar.
Em 1513, a Ermida “estava muito danificada e em tal maneira não se devia dizer missa nela” e, em 1533, estava “deRibada”, e só tinha a capela “alevamtada E acafelada” por dentro. Depois disso foi objecto de reparações várias, a maior das quais talvez em 1733 (data inscrita sobre a porta principal).
Texto: Germesindo Silva
- Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Azinheira dos Barros
Localização: Azinheira dos Barros
Cronologia: Princípios do século XVI.
Descrição sumária: A construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Azinheira teve provavelmente início por volta de 1510, uma vez que em 1513 estava em fase de conclusão. Com a instituição da freguesia dos Bayrros (cerca de 1545) tornou-se sede de paróquia. Actualmente, é uma edificação de piso térreo, com telhado de duas águas coberto por telha de Marselha. No conjunto é constituída por um corpo rectangular e altar-mor, um baptistério e uma sacristia laterais, e uma torre sineira quadrangular (de um só sino).
Síntese de intervenções: Objecto de várias intervenções, a maior das quais em meados do século XX, esta Igreja encontra-se totalmente descaracterizada em relação ao primitivo edifício.
Observações: Propriedade da Diocese de Beja, esta Igreja pode ser visitada nos dias de celebração.
Texto: Germesindo Silva
- Igreja de São Mamede do Sádão
Localização: São Mamede do Sádão.
Cronologia: Possivelmente, datada de princípios do século XVI.
Estado de conservação: Em ruína.
Descrição sumária: A Igreja, de propriedade privada, encontra-se em ruína, assim como a antiga aldeia de São Mamede do Sádão, da qual restam somente vestígios.
Igreja de São Jorge
Localização: Lousal
Cronologia: finais da década de 1950.
Descrição sumária: Dedicada a São Jorge, foi edificada por iniciativa da empresa Mines et Industries, concessionária da exploração mineira do Lousal, com o intuito de oferecer à comunidade um espaço religioso digno da prática do culto católico. Até à construção do templo a comunidade utilizava como espaço devocional um edifício de características habitacionais, localizado no Bairro da Direcção.
De entre o seu espólio destacam-se o óleo sobre madeira representando São Jorge (Escada, 1961); a cruz de Cristo; as imagens de São João Baptista, de Nossa Senhora de Fátima e de Santa Bárbara, encontrando-se esta instalada num nicho, junto ao complexo industrial de exploração mineira.
A vivência religiosa assumia no Lousal maior importância no dia 4 de Dezembro, aquando das comemorações do dia de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros.
A data era assinalada com um almoço convívio entre os mineiros, realizado nas instalações da Associação do Pessoal das Minas do Lousal. Nesta refeição, oferecida pela empresa, servia-se, tradicionalmente, jantarinho de grãos. No dia 4 de Dezembro a laboração era suspensa e eram também realizados casamentos e a procissão em homenagem a Santa Bárbara. O cortejo era acompanhado pela comunidade, sendo a imagem transportada pelos mineiros, que trajando com vestuário de trabalho a conduziam da Igreja até ao respectivo nicho. A devoção a Santa Bárbara ainda se mantém viva no Lousal, realizando-se a procissão que leva a imagem à Igreja de São Jorge e a procissão em que regressa ao nicho no dia 4 de Dezembro, sendo que alguns devotos ainda envergam o traje mineiro.
Texto: Arquivo Municipal de Grândola.